sábado, 24 de julho de 2010

Somente Farelos




Eram os farelos de pão
Com uma das mãos ela media cui.da.do.sa.mente
cada farelo de pão disposto sobre a mesa
A outra mão acariciava seus longos cachos
apoiando com destreza a cabeça
Com olhos voltados para baixo
esfriando uma caneca de café,rachada
Como quem pudesse chorar pela vida
ela sorria
Para não deixar marcas
Ou gozar delas
Marcas camufladas em dias brancos
Dias em que o Sol sobe
Com a mesma perspicácia com que desce
Aos outros olhos
não os dela
Que minuciosamente xeretava
cada fagulha de luz
Luz do Sol
que invadia sua janela
Que transpassava folhas verdes de árvores frondosas
Ela tinha isso
Ela preferia isso à solidão
que lhe remetia nas noites
na vida
E quando tudo que tinha não lhe era observado
e quando tudo lhe parecia vertigem
de criança com sono
que luta contra os sonhos
vendo as imagens lhe borrarem a vista
com o encerramento do piscar das pálpebras
len.ta.men.te
Ela abria mais ainda seu coração
Para expulsar tudo que lhe fazia mal
Pois ela já tinha o suficiente
A vida
Para se fazer feliz